Cordel destaca luta contra violência feminina

Uma reflexão sobre as várias formas de violência contra a mulher são retratadas pela cordelista pernambucana Dani Almeida na sua mais recente obra poética : A luta contra a violência feminina em literatura de cordel.  Nos versos produzidos em sextilha, a autora destaca a Lei Maria de Penha e sua atuação nestes quase 13 anos de vigência, bem como os principais tipos de crime contra a mulher, além de críticas relacionadas às medidas protetivas no Brasil. A autora ainda relembra alguns casos marcantes como o feminicídio de Mariele Franco, vereadora assassinada em março do ano passado no Rio de Janeiro, crime este que ainda não tem resposta de autoria.

Celebrado desde o início do século 20, o chamado Dia Internacional da Mulher, comemorado todo dia 8 de março, surgiu como uma oportunidade de reivindicar igualdade de gênero nos mais diversos setores da sociedade. A data é marcada por protestos ao redor do mundo todo e toca nas mais variadas feridas sociais. Uma delas está relacionada ao feminicídio, crime cada vez mais crescente no Brasil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil já tem a quinta maior taxa de feminicídios entre 84 nações pesquisadas. E, a despeito de possuir diversas políticas de proteção à mulher – como a Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em setembro de 2006 – o País ainda convive com a rotina de uma mulher morta a cada duas horas.

Confira abaixo o mais recente cordel de Dani Almeida:

A luta contra a violência feminina em literatura de cordel.

O assunto incomoda
Toca em muitas feridas
Não só as que dão para ver
Também as adquiridas
No campo psicológico
Todas muito doloridas.

 

Violência contra as mulheres
É um mal que muito aflige
Tem origem no machismo
Sentimento que inflige
Os direitos femininos
Que a mulher luta e exige

 

Respeito, dignidade
E mais mobilização
Políticas que despertem
Mais conscientização
que punam com rigor
Toda e qualquer agressão.

 

Violência sexual,
Estupro, constrangimento
São apenas alguns crimes
Causados por truculentos
Covardes que usam a força
Sem pudor, com sofrimento

 

De uma forma deplorável
Certa vez uma adolescente
Por mais de 30 homens
Foi levada a um ambiente
Lá ela foi estuprada
Quando estava inconsciente

 

Indignação, revolta
Falatório mundial
A imagem desse crime
Pra lá de irracional
Parou na internet
De uma forma bem banal

 

Nesse tipo de postagem
Muitos ficam a propagar
Injúrias e maldades
Que fazem todos pensar
Que a vítima é culpada
Por abusos de chocar

 

Outro assunto intrigante
É a medida protetiva
Lei que diz garantir
Segurança efetiva
A mulher ameaçada
Mas é pouco incisiva

 

Não é raro a mulher
Vítima de violência
Fazer vários boletins
Contra o homem e a truculência
Mesmo com o “papel na mão”
Sua morte é a penitência

 

Seja em casa ou na rua
Um estranho, familiar
Criminosos improváveis
Por aí estão a vagar
Buscando oportunidade
Para a mulher atacar

 

Roubando de suas vidas
Preciosas emoções
Violadas na maldade
De brutos “espertalhões”
Que se acham muito “machos”
Quando geram agressões.

 

Algumas pelo medo
Ficam sem denunciar
Continuam a sofrer
Violências de amargar
Provocados por covardes
Que estão a propagar

 

Desrespeito à mulher
Ciúmes, intolerâncias
Xingamentos, cantadinhas
Força física, petulâncias
Não podemos tolerar
Tamanhas ignorâncias!

 

Quem se acha “macho alfa”
Trate de ficar atento
Pra tocar numa mulher
Tem que ter consentimento
Ao contrário, isso é CRIME
Que dá encarceramento

 

Desde o ano 2006
A lei Maria da Penha
Foi criada pra punir
O machista que desdenha
Da mulher com xingamentos,
E ofensas que desgrenha

 

Um covarde que agride
A mulher e sua moral
Também pode causar danos
De ordem patrimonial
Depois de viver com ela
Uma vida conjugal

 

Mesmo com a “Maria da Penha”
Alguns homens não hesitam
Mexer com uma mulher
Com cantadas que incitam
Sentimentos primitivos
Que em alguns deles habitam

 

Crimes de feminicídio
Acontecem em todo mundo
Mas é aqui no Brasil
Que o caso é mais profundo
Mulher a cada duas horas
Morta é por um vagabundo

 

O caso mais emblemático
É de Mariele Franco
Mulher negra, vereadora
Conhecida em todo canto
Há um ano ela foi morta
Numa emboscada de comando

 

Os tiros com muito ódio
Foram a ela destinados
Após descobrir verdades
De corruptos fardados
Resolveram ela calar
Mas sua luta tem legados

 

Mariele, presente!
Virou lema de guerreiras
Combate ao feminicídio
Das mulheres brasileiras
Que lutam por um Brasil
Livre de tantas sujeiras

 

O crime aconteceu
No Rio de Janeiro
Mas em qualquer lugar
Deste Estado brasileiro
Outros casos como esse

É algo bem corriqueiro

 

Por isso é importante
Que essa nova geração
Seja bem direcionada
Para uma reflexão
De respeito aos gêneros
Igualdade, educação!

 

Conceitos para aplicar
Com amor e compreensão
Lembrando que o ser humano
É um ser de imensidão
Vive para aprimorar-se
E buscar evolução

 

A cultura do estupro
Precisa ser banida
O corpo de uma mulher
Não é troféu, nem bebida
Fomos feitas para amar,
Ser amadas, dar a vida!

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